Privado

Ai, a insônia. São 02 da manhã e eu tô acordada. Tá, e daí?
Já sei que vou acordar amanhã puta por ter dormido pouco demais, que vou ficar balançando a cabeça por causa de pequenos mergulhos no sono se por um milagre eu sentar no metrô.
E a noite muito provavelmente, esse mesmo ciclo vai se repetir, com o agravante de que eu tenho roupa pra lavar. Menos mal.

Mas sei lá. Eu gosto de você. E preciso muito te falar isso, não como quando eu falo brincando ao te ouvir perguntando isso pela milésima vez num tom de quem diz “você não me deixa em paz”. Eu gosto de você e não quero que você saiba disso pra dizer que gosta também – cá entre nós, é bem claro que não é isso que vai acontecer. Quero que você escute pra entender que não quero você por perto.

Todas as brincadeiras, sorrisos e conversas não são pra mim só brincadeiras, sorrisos e conversas. Tudo é motivo pra minha cabeça trabalhar, imaginar que é recíproco o que eu sinto. E tudo isso me deixa ainda mais brava por ser o clichê do século: a mina/o cara que gosta do/da filho/filha da puta.

Entende? Eu gosto de você, sai de perto de mim, você só vai me fazer mal. E se me fazer mal não te importa, pensa que eu sou uma maluca que gosta de você. E quem quer alguém maluca e clichê pegando no pé por perto?

Me erra. Esquece a zueira. Queria muito ser uma voz na sua consciência dizendo “e aí cuzão, vai ficar aí parado?”. Mas eu só tenho força pra dizer: fique parado. Sai. Eu preciso de paz.

Quantas situações hipotéticas eu criei. Quantas vezes eu não achei que agora ia. E quantas vezes eu já sabia que não ia ser. Sabia que era só mais uma que tava lá mesmo e era o que tinha pra hoje. E mesmo assim abri o olho pra mudar de posição na cama e dei uma espiada do meu lado pra aproveitar porque vai que era a última vez que eu te via ali. E um dia foi mesmo. Logo o pior de todos. Logo o dia em que não deu pra dormir mais tempo. Logo o dia em que você não pegou minha mão dormindo e entrelaçou os dedos nos meus, num gesto que jamais repetiria sóbrio.

Eu bebo demais, não sou levada a sério, não tenho não me toques na hora de sair só por sair. Já até pensei que isso talvez não te deixasse ver que porra, eu gosto de você. Mas não é isso, você sabe. E gosta de me ter por perto. Ter alguém pra comer quando nada melhor estiver por perto. Tão cômodo quando a gente sabe que é só chamar que vem. Eu gosto de você, e não aguento mais. Não acho que levar um não vai afastar de vez esse angu de caroço, mas pelo menos vai me fazer ter a certeza de que não. Não.

Diz com todas as letras que não quer nada e sai de perto. Mas não fica lembrando das conversas que a gente teve bêbados antes de dormir. Não fica insistindo pra eu lembrar do que a gente disse um pro outro como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Não me dê tapas na coxa quando eu tiver sentada, não desamarre meu cadarço e não se surpreenda por eu gostar de filmes de menininha. Não me mostra como seu cabelo fica quando o vento bate deixando ele de lado e não me conta que você tem vontade de ir na Sala São Paulo. E principalmente, por favor, não enrola almondegas comigo.

Quando eu tiver toda simpática e você souber que eu quero – porque eu sempre vou querer -, lembra do quanto eu gosto de você. Daí, eu já sei, você vai se afastar. E é justamente isso que eu preciso. Sai.

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