Bigorna

O problema é o sapato que você teima em desamarrar. E por que diabos você repara no meu  peso, nas minhas roupas e no meu corte de cabelo? Você sabe que é cruel, e talvez por isso mesmo continue. Deve ser minha cara, devem ser as minhas mãos que não disfarçam a ansiedade e eu não sei nem como gesticular perto de você, a posição da boca pra não parecer que ela tá te chamando, se esforçando pra manter uma conversa normal e civilizada. 

E porque você faz questão de participar dos meus assuntos? Nem somos tão amigos assim… Deve ser porque você sabe que eu gosto. Será que sabe? Com tanta gente no mundo, logo você, um trouxa… Um cara sem sal…

Depois de braços melhores, depois do entrosamento e do aconchego que eu nunca senti nos nossos encontros embriagados, porque essa maldita tremedeira? Dias, semanas, até meses bem. Mas, às vezes, basta só uma noite pra todo um trabalho árduo ir por água abaixo. E o “e se?”, alimentado só por mim, passa a tomar conta da minha cabeça de um jeito tão ridículo que me faz pensar em você bastante antes de dormir só pra ter mais chances de sonhar com a gente.

Uma babaca completa. Mas não é isso que somos todos nós?

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