A sombra

Ela era alta, vestida num shorts puído que mostrava bem suas pernas escuras, com manchas cinzas ressacadas. Nos pés, nada, apenas a sola grossa e com rachaduras servia de sapato.

Usava uma blusa verde que deslizava pelos ombros e notava-se nitidamente que não usava sutiã. Cabelos crespos bem curtos emoldurando um rosto onde se esperava que houvesse uma expressão carrancuda de quem muito já apanhou (da vida e dos outros), mas havia um sorriso. Bem provável que fosse de desdém, aquele sorriso com a boca ligeiramente aberta e a cabeça fazendo meneios para trás.

Talvez sorrisse por estar assim, totalmente diferente das pessoas que passavam pelo terminal àquela hora da manhã pelo terminal, arrumadas e apressadas para ir trabalhar.

Talvez sorrisse porque todas essas pessoas que passavam pensavam que ela tinha algo a ver com a quase confusão que se formara a alguns bons metros dela: um incomum contingente de policiais que se encontrava ali, dificultando a passagem de todos.

Tinha ela participação nesse quase reboliço?

Ou seria ela só um sorriso que passou desapercebido?

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