A vida como ela é (ou Talvez uma Repetição de Título)

A tragédia da vida se esconde na dor que não é compartilhada, aquela que só dói em você. O tipo de dor que ninguém, a não ser você, é capaz de entender e sentir. Aquela dor que te surpreende no meio de uma festa, antes de dormir. Vem desnuda de disfarces ou fantasiada de torpor. Dói mais ainda quando outra pessoa consegue achar graça disso, ainda que esteja diretamente relacionada com o motivo dessa dor.

Ou talvez seja essa a beleza da vida. Uns chorarem e outros rirem. Uns dançarem e outros caírem. Talvez não faça sentido e nem tenha graça nesse enredo se todos amassem e sofressem com a mesma intensidade. O público, o autor e o ator não viriam se todos os amores fossem correspondidos, se todas as familias fossem felizes, se toda dor tivesse explicação e solução. Se a tragédia não morasse na beleza e a beleza não morasse na tragédia.

No fim, a vida é mesmo como Nelson Rodrigues escrevia: ridícula de tão dramática, doída de tão real.

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Um pensamento sobre “A vida como ela é (ou Talvez uma Repetição de Título)

  1. regina pinheiro disse:

    estivemos falando sobre isto, verdade?
    usar perfeita afinação para aproveitar as sutilezas da beleza a todo momento. é o segredo. bjca. regina

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