Sentimentalismo barato

Hoje eu gostaria que você sentasse aqui comigo. Trouxesse duas cervejas e o mar, pra conversa fluir um pouco melhor.

Caso você resolva vir, gostaria também que tivesse um bocado de paciência: pode ser que eu tagarele, pode ser que eu fale sobre o tempo ou pode ser que eu fique apenas me justificando antes de falar mesmo o que eu preciso falar, que eu nem sei direito o que é. Vale avisar que esse tipo de comportamento é bem típico meu.

Por conta de não sabermos direito o tempo que será gasto, escolha para você aquela cadeira de palha confortável na qual você nunca pôde me embalar,  ou será que fui eu que nunca quis ser embalada? Quem sabe no ritmo dela a gente consiga se acertar.

Hoje eu gostaria que o dia não acabasse, mesmo sabendo que é esse o fim, triste ou não, de todos os dias. Gostaria mesmo é de não saber nada. Hoje eu quero ser criança de novo, se é que eu já fui criança um dia, se é que eu já deixei de ser.

Enfim, hoje há tempo para qualquer filosofia de bar. Hoje estão perdoadas a licença poética e qualquer lágrima que porventura escape dos nossos olhos tão treinados a não se deixar trair por qualquer sentimentalismo barato.

Hoje eu quero ouvir suas histórias de infância, mesmo que elas nem sejam verdades, mesmo que nem você seja de verdade, eu não me importo.

Se você não tiver tempo de vir, eu vou estar feliz em saber que você estava ocupado com planos maiores, como sempre esteve (ah, você é tão diferente de mim!). Eu peço pro garçom guardar a cerveja e espero você me ligar.

Eu quis tanto te julgar, esperei toda noite você curar um pouco da monotonia de todos os meus dias. Hoje não quero mais, não quero nem ver você aqui.

E chega desse blá-blá-blá, que o pessoal do bar me olha torto e essa cerveja não tomada já me deixou sentimental demais.

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2 pensamentos sobre “Sentimentalismo barato

  1. Gordo disse:

    Aeeeeeee…. agora sim….Melhor texto =DDD

  2. Yara Roehr disse:

    Cloé, adorei Drummond e Bares / Estereótipos, concordo plenamente. Quero parabenizá-la exatamente por não ser uma jovem com as mesmices que cansam, na juventude descompromissada com personalidades verdadeiras. Não fosse você a neta de Regina Pinheiro!
    Parabéns pelos textos.

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