Auto Retrato

Esse é um texto que eu precisei fazer pra aula de teatro, quem tiver paciência de ler, me deêm os feedbacks de vocês pra eu ver se continuo postando textos longos assim….

    Chloé Pinheiro, 17 anos, morena de olhos castanhos (dizem que fica claro no sol, ela acha que é mentira). Menina difícil de explicar!

    Nasceu num remoto 1990, dia 06 de julho, num hospital sem luz em Santos. Canceriana, mas com pouquíssimas características desse signo, talvez pela convivência excessiva com arianos e leoninos ou talvez porque ela mesma não costuma creditar muito de sua personalidade ao posicionamento do céu no momento que nasceu. E nasceu, diga-se de passagem, com o cordão umbilical enrolado no pescoço, uma urgência de começar a vida sob o risco dela terminar ali mesmo.

    Antes que alguém pergunte, o nome é o nome da primeira flor que nasce depois da neve na Grécia. E devia se ler Chloê, mas aportuguesaram para Chloé, rimando com chulé, o que frequentemente rende muitas piadas batidas que acabam não rendendo mais do que um sorriso amarelo no rosto dela.

    É sonâmbula, fala e anda durante a noite. Eventualmente bate em quem estiver perto também, mas esses são eventos muito isolados.

    Acorda de mau-humor.

    Costuma ter muitos sonhos por noite, mas quando acorda não se lembra de nenhum. Sinceramente, lembrar de qualquer coisa é uma tarefa díficil pra ela, cuja memória não é lá essas coisas.

    Aliás, até a memória é contraditória nela. As lembranças da infância dela são feitas de flashes e da maioria dos anos ela não consegue lembrar de quase nada, e ouve como se estivessem contando uma história que ela nunca ouviu quando a família conta as histórias de coisas que ela aprontou há nem tanto tempo atrás; mas para telefones e nomes, ela tem uma memória boa. Filmes e livros ela vê e ama, mas uma semana depois não consegue lembrar de quase nenhum trecho, o único filme que lembra de quase tudo até hoje é Procurando Nemo, porque uma amiga sua já contou a história umas dez vezes pra ela.

    Fala e ri alto demais, e quando tenta sussurar alguma coisa pra alguém acaba falando mais alto ainda. Gagueja, não necessariamente quando está nervosa. Não gosta de cócegas porque a fazem ficar com falta de ar. Tem medo de altura. Passa mal se andar num veículo sentada de costas. Gosta muito de cantar e dançar, embora tenha a plena consciência de que faz os dois muito mal. Não gosta de perfumes, porque dão dor de cabeça.

    Já operou os dois joelhos, o que rendeu 6 cicatrizes pequenas. Ela gosta de suas cicatrizes, e de contar a história de cada uma delas. Tem uma do lado esquerdo do seu rosto, fruto de uma mordida de cachorro, que ela acha que combina muito com seu óculos (ela tem quase 3 graus de miopia e espera operar em breve) e com o piercing na sua orelha.

    Usou aparelho nos dentes por quatro anos.

    Gosta de reparar nos outros, em cada detalhe do corpo (ás vezes da roupa também). Age sem pensar. Acha que fala demais, e é mal interpretada demais. Sua mãe sempre disse que ela é mais cabeça que coração, e ela não costuma traumatizar nem irritar facilmente, e talvez seja por isso que ela seja tão prática e saiba superar as coisas facilmente. Mas ela precisa aprender que as pessoas não são assim, haja vista que ela já magoou muita gente ao dar opiniões, mesmo com a intenção de ajudar.

    Tem muitos amigos homens.

    Ela tem complexo de inferioridade, mas isso ela não costuma contar pra ninguém. Pelo contrário, as pessoas costumam pensar que ela é muito segura de si, até demais, e pra maioria das coisas ela é mesmo, mas quando se olha no espelho e não gosta do que vê, ou quando percebe o quanto podia melhorar, esses desapontamentos ela guarda para si. Aos 11 anos ela se dizia roqueira e andava de All Star preto, mas aos 13 conheceu o forró e o reggae e se apaixonou.

    Já quis ser chef, oceanógrafa, médica, jornalista e atriz, mas nunca quis ser bailarina. Dos 7 aos 11 anos dizia que queria ser secretária-geral da ONU. Talvez ela até tenha uma vocação pra política, devido a sua capacidade imensa de prometer coisas (pra ela e pros outros) que sabe que não vai conseguir cumprir, e de massagear seu ego mais do que o necessário, sempre nas horas impróprias. 

    Já morou em 14 casas, espalhadas por 7 cidades, e sua família não é cigana e nem fugitiva da polícia.

    Constantemente é tomada por um sentimento de culpa, culpas que ás vezes nem dela são, mas que a consomem mesmo assim. Estranho que, as coisas que realmente deviam-na fazer se sentir culpada, essas passam batidas, não importa o quanto ela tente realmente se sentir mal (ou responsável).

    É viciada em séries, e sabe de cor vários episódios de Friends, embora ainda não saiba detalhes cruciais da vida dos seus amigos. Falando em amigos, tem sérias dificuldades de dizer não a eles, e acaba ocupando o seu fim de semana muito mais do que os seus joelhos podem aguentar.

    Corre de um jeito muito estranho.

    Já jogou basquete, handebol, volêi surfou e nadou. Também já tentou tocar zabumba, violão e bateria, mas a sua coordenação motora e ritmo não contribuiram para o sucesso de nenhuma das empreitadas acima. Critica muito, mas tem muito medo de ser criticada.

    Não tem muita paciência com as pessoas e não perde piadas, mesmo que sejam sem graça (e na maioria das vezes elas são mesmo). É desastrada, e a cada dia nasce um roxo de alguma batida que ela nem lembra que aconteceu. Também costuma derrubar e quebrar muitas coisas, principalmente na casa dos outros, o que, juntando com seus hábitos de falar alto e não perder piadas, costuma deixar nas pessoas a impressão de menina desajuizada e avoada, coisa que talvez no fundo seja o que ela é mesmo.

    Sonha com coisas que ela sabe que não vão acontecer, mas os sonhos costumam ser tão reais que ela fica satisfeita por elas terem acontecido pelo menos nos sonhos.

    Todo dia de noite ela pensa nas coisas que fez e não gostaria de ter feito, que falou sem pensar, e promete que no dia seguinte vai ser diferente, e ela vai ser tudo o que quer ser.

    Muda muito de humor.

    Dizem que é anti-social, ela se acha simpática.

    Faz cara de brava quando está concentrada em alguma coisa, e tem mania de fazer caretas com a boca.

    Nâo sabe se explicar, não convence, não sabe se fazer entender e muito menos se descrever….

 

 

 

 

 

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5 pensamentos sobre “Auto Retrato

  1. […] Bonequinha de Vudú? Huahuahauhauahuahua…… Em homenagem à Chloé (que não tem cabelo duro!) […]

  2. Danilo disse:

    Aos poucos, voltando a blogosfera…
    Abandonei o blogpessoal.

    Já dizia o velho deitado: Se perdeu o tezão com um blog, abandone, e pense em algo mais inteligente!

  3. Glauco disse:

    Apesar do nada latente mau humor, dei boas risadas lendo essa descrição. Aliás, nunca conheci ninguém que, quando criança, quisesse ser secretário-geral da ONU… rs. Muito bom!

  4. Gustavo Lopes disse:

    Connheço um pouco da história e está faltando a boa e a boa (e mais significativa) parte dela.

  5. regina disse:

    o melhor de tudo é ler a entrelinha sempre presente no dia a dia de uma carinha que disse: não se preocupe, vovó: EU DENTEI ÊLE. È…

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