De repente, eu não sou mais uma criança metida a sabichona discutindo com minha bisavó malufista sobre política. Não tenho mais tamanho nem parentes velhinhos para aturar essa minha inconveniência.
A casa da esquina agora é só uma casa na esquina. O gato colorido que não morria vai dar lugar a uma placa de vende-se (talvez). As bolas grandes e iluminadas espalhadas pelas árvores do jardim no Natal não vão mais ter espaço entre o matagal abandonado e as rosas vão morrer por falta de carinho.
No segundo andar da casa da esquina nunca mais duas adolescentes malucas vão fugir se agarrando pelas heras que alguém vai precisar cortar antes que engulam a casa. Não vai mais ter banheira antiga para nenhum neto deslumbrado ir à desforra.
O jogo de resta-um podia mudar de nome. Agora falta-um.



falta mesmo, Chloè. Mas a vovó você aproveitou bastante, a bisneta mais velha, a mais antiga nos amores da bisavó. Querida, você é um presente. Vocó Regina.
Limpo, conciso, sintético, completo! Como amante de bons textos dúvido da expressão “uma imagem vale mais que mil palavras”. As palavras tem o magnífico poder de trazer para fora, às vezes rasgando, todas as nossas dores e amores. Pena que apenas uma mínoria infima consegue fazer isso!
amei! vou postar.