Junho 17, 2009
Economize água! Doe órgãos, seja da paz, doe livros, agasalhos, doe tempo. Tem tanta campanha de ação social por aí. Outdoors e comerciais de TV passam pelos nossos olhos durante todo o dia, nos incentivando a sermos melhores pessoas, cidadãos. Os manuais de como ser politicamente correto nos ensinam desde como dirigir educadamente até a separar seu lixo e não colaborar com a proliferação da dengue. Talvez para tentar consertar uma sociedade sempre egocêntrica e mal-educada, culpa desse egocentrismo. Em um país onde ano após ano continuamos elegendo cegamente pessoas que dão todos os dias manchetes cabeludas no jornal, será que adianta colocar atores bonitos que “gentilmente não cobraram cachê” falando no intervalo da novela das oito? será que adianta colocar em muros incrivelmente brancos os dizeres “a cada mês que esse muro não for pichado, doaremos dez cestas básicas à Insituição Blá Blá Blá” enquanto tantos jovens anseiam ter seus nomes escritos lá (uma necessidade auto-afirmação incrustrada desde que nascemos em nossa personalidade)?
Quando alguém próximo sofre um acidente mobilizamos todos que conhecemos para doar sangue, mas fazemos isso quando chega um e-mail mecanicamente repassado pedindo nosso sangue à alguém que mal conhecemos? Repassamos o email para deixar a consciência limpa ou então simplesmente deletamos, como se não fosse o nosso problema, como se a pessoa doente não fosse de verdade, fosse só um spam.
Não sei o que adianta, nem ao menos a cura pra essa problemática social e principalmente histórica, tampouco tenho base e formação suficientes pra isso. A juventude gosta de dizer que é a sociedade doente, o mundo corrompido. Mas a gente faz parte do problema também, vivemos no sistema. Não adianta só sentar na faculdade e discutir sobre como o país está cambaleando para depois chegarmos em casa e fazer as mesmas coisas de sempre, pensar os mesmos pensamentos de sempre. Posso não saber o qeu adianta, mas sei que isso, com certeza, não adianta.
A idéia desse texto veio da minha vontade de falar sobre a doação de medula, depois de uma discussão sobre doação de orgãos na faculdade. Mas logo depois da idéia, já veio a fatídica questão: adianta?
Talvez o importante não seja saber se adianta ou não, mas sim seguir uma das dicas do manual de como ser uma boa pessoa e fazermos nossa parte, ainda que não saibamos bem qual ela seja.
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brasilzinho |
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Escrito por Chloé
Junho 15, 2009
Hoje caiu lixo do céu
Era da laje, e era lixo
Mas parecia poesia
Parecia arte
Uns flocos brancos, devia ser papel ou plástico
Mas agora eram neve, ou petálas brancas
Essa janela já é parte de mim
E hoje parece que sou eu, qualquer janela
A minha janela.
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parece poesia |
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Escrito por Chloé
Junho 5, 2009
Como a arte nasce? Como perceber beleza nas coisas que vemos todos os dias? Como enxergar de fato essas coisas? Díficil responder essas perguntas, dentre as tantas outras que faço, difícil treinar o olhar. Mais difícil ainda foi perceber Terezinha, que, diferente da de Jesus, não foi ao chão.
Faz quatro anos que moro no Edifício Fúlvia, e só agora reparei em Terezinha, roxa, viva, a única coisa que parece respirar nesse frio tão absurdo e contrastante ao sol brilhando lá fora. Terezinha é uma árvore. A única árvore da rua que debocha do outono e se ergue magistral na rua, bem próxima a árvore dos clichês do texto abaixo, que, por ser uma árvore-clichê, já deixou junho secar quase todas as suas folhas. Se ergue magistral é uma hipérbole, uma superestima que na verdade nunca é direcionada a Terezinha. É provavél que ninguém a note, eu mesma só agora reparei na ousadia dela de querer ser uma árvore do contra, a única diferente por aqui. Será que as outras árvores a desprezam por isso? Será que na primavera Terezinha ficará tão sem vida quanto a árvore-clichê está agora? Será que até a primavera a presença de Terezinha ainda será notada por mim que tenho olhos tão destreinados e dispersos?
Sem analogias e sem clichês, Terezinha não precisou de três cavalheiros a acudindo para levantar do chão. Terezinha não caiu, e sorri pra mim toda tarde, com o roxo de suas flores constrastando com o bonito sol de outono, que, como fizesse companhia a Terezinha, também debocha do vento frio e brilha, refletindo a árvore sem outono da calçada em frente ao Edíficio Fúlvia.
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textos. |
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Escrito por Chloé
Junho 2, 2009
As pessoas criam mais durante a dor e a crise ou a dor é só uma boa desculpa para podermos mostrar quem realmente somos e nos expressarmos livres de culpas e pesos que a lucidez nos traz? Será que quando estamos felizes nos acomodamos o suficiente pra não pensar? Não ousar? Paramos de querer mudar porque para nós parece bem óbvio que mudanças só são bem vindas quando algo dá errado? Escrever perguntando, fazer um texto sem respostas e sem a ânsia por elas é de fato criar algo relevante? Soltar perguntas no ar é de fato fazer as pessoas pensarem?
Seja como for, terminar esse texto com uma pergunta parece previsível demais. Certo?
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divagando |
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Escrito por Chloé