A gente passa a vida toda fugindo dos clichês, ou pelo menos as pessoas que se julgam inteligentes fazem isso, ou talvez seja só eu que me ache esperta e diferente demais pra viver clichês. Mas a verdade é que, como se diz por aí, se uma coisa é clichê é porque ela dá certo, é porque ela é verdade. É um saco, porque sabendo disso, todas as nossas expectativas sobre como somos únicos desaparecem.
Por exemplo, quando um amor acaba. Você vai, chora, grita e sempre tem alguém que te fala ‘vai passar’ ou ‘o tempo cura tudo’ aí você pensa que a pessoa é uma idiota e nunca sentiu o que você sente. Mas é verdade, passa mesmo, não importa o quê. Eu até pensei outro exemplo pra não ser tão clichê assim falando de amor, mas não tem jeito, porque a maioria dos clichês fala de amor e o amor é a coisa mais cafona e clichê do mundo. E talvez por isso mesmo que eu evite falar de amor, porque parece óbvio demais, um destino a qual todos estamos fadados. Mas hoje eu vou me entregar a todos os clichês, afinal, pra quê resistir?
Outro clichê que é bem irritante e bem verdade, são as borboletas. Aliás, borboleta é uma fonte inesgotável de clichê e cafonice. Dizem que a gente tem que cuidar do jardim em vez de correr atrás das borboletas, mas ninguém tem um clichê de como fazer o tempo passar mais rápido e as borboletas malditas virem até nós. Dizem também que quando você se apaixona sente borboletas no estômago, e isso é verdade, mas como eu odeio clichês eu costumo dizer que tem um carrinho de montanha russa desgovernado no meu estômago, bem mais legal.
Mas tem um clichê que não teve como eu não me render ao abrir a janela da sala hoje a tarde. Está chegando o outono, e a árvore daqui da frente do meu prédio que a há dois meses estava toda florida de flores laranjas (florida de flores sim, porque não?) agora está só com umas poucas flores resistentes, e a calçada está coberta de folhas nos tons mais variados de verde. E aí deu pra refletir sobre como tudo é um ciclo mesmo, que as folhas secas precisam cair pra outras novas nascerem, que a árvore precisa passar uns dias sem folhas e flores pra abrir espaço pra florescer de novo e querer isso. E que cada uma dessas fases é necessária e tem sua beleza.
Os clichês estão aí, sendo vomitados pra gente o tempo todo. Dá pra correr deles, mas certamente não dá pra se esconder, uma hora eles te alcançam, e fazem cair toda ilusão que exista de que somos únicos e especiais demais pra viver como os nossos pais viveram. Ainda bem que os meus clichês são todos felizes.
Escrito por Chloé
Escrito por Chloé
Escrito por Chloé 

